sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

O que te dá prazer?

Por Elva Vieira (elvavieira@gmail.com)


Dizem por ai que o amor é o cimento da vida. Eu tenho lá minhas dúvidas. Se existe algo que traga motivação ao ser humano, seria disparado o prazer. Não falo apenas de prazer sexual, mas sim de todo e qualquer prazer que possamos sentir. Tem gente que sente prazer em dormir muito, prazer em trabalhar, prazer em fazer compras, em malhar, ler, caminhar, comer. Mas atenção! Não me refiro ao prazer apenas como “gostar”, mas sim em “satisfação”. Até para amar você precisa desse incentivo. Inclusive, as coisas só se fazem bem feitas quando sentimos prazer em fazer, não é verdade

Existe também o prazer coletivo. Cada vez mais podemos observar grupos (ou tribos urbanas) os quais se encontram periodicamente para compartilhar o que têm em comum. Os jogadores de RPG jogam por prazer. Os headbangers “batem cabeça” por prazer. Amigos se reúnem num bar e jogam conversa fora por prazer. As confrarias existem justamente para isso, fazer algo que gostamos juntos, para sentir prazer. O que faz um show da Madonna em São Paulo, por exemplo, reunir tanto fã, de todo lugar do Brasil? Ué, o prazer por estar lá, de vê-la ao vivo talvez pela única e última vez na vida, prazer em depois contar para os netos com qual roupa ela estava e quais canções ela cantou. Prazer em sentir a energia das pessoas ao redor cantando alto com você.


Outra coisa que ouço bastante por ai é a tal da busca pela felicidade, mas muita gente não entende que felicidade não é um meio e sim um fim. Concordo plenamente com Edgar Morin quando diz que felicidade e amor são formas de ideologia utilizada pela Indústria Cultural para seduzir o consumidor, mas na verdade esse não é o centro dos assuntos no momento. Eu, particularmente utilizo um estilo de vida baseado na busca do prazer, individual ou em grupo. Depois aprendi que isso tem um nome e chama-se hedonismo. Durante minhas leituras ainda descobri mais: não estou sozinha! O hedonismo é considerado por sociólogos, comunicólogos e antropólogos como uma das principais características da sociedade contemporânea.

Logo penso que a busca pelo prazer está em tudo ao nosso redor, até no consumo (afinal, você precisa de dinheiro para comprar aquele vestido bárbaro, se olhar no espelho e sentir vontade de agarrar você mesma ou para dar o dízimo para a sua igreja e se sentir uma pessoa melhor por isso). O homem pós-moderno trabalha não só para sobreviver, mas também para ostentar seu prazer, dentro das possibilidades do mundo contemporâneo... Um pensamento materialista para uma sociedade materialista! Essa é a verdadeira graça de viver atualmente.

Sendo assim, eu elejo o prazer como o melhor e principal sentimento que o homem contemporâneo pode sentir e o real motivador pela vontade de viver, de sentir. Mas só é válido se não prejudicar ninguém, claro!

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Pesquisador aponta a percepção sobre as desigualdades como causa da violência urbana no Brasil

Por Elva Vieira (elvavieira@msn.com) e Nathália Cohén (nathicohen@gmail.com)

Você acredita que a violência urbana vem da miséria e de condições sub-humanas ou insuficientes? O pesquisador Max Dante, Gerente de Comunicação do Projeto Travessia - Experiência de Inserção de Jovens em Situação de Risco por meio de estudos comparativos afirma: é o sentimento de injustiça na divisão de riqueza e as desigualdades sociais que condicionam a violência urbana brasileira.
Segundo o Índice Global da Paz publicado em 2007, o Brasil é um dos países mais violentos do planeta. Porém, não é um dos mais pobres do mundo. Uma pesquisa comparativa de Índice de Desenvolvimento Humano entre o Peru e o Brasil aponta que apesar do IDH do Peru ser menor, o Brasil ganha no quesito violência.
"Isso quer dizer que o indivíduo se tornará violento vivendo em condições insatisfatórias, tendo contato próximo e freqüente com outros indivíduos que vivem com privilégios e que o humilham por esta diferença", afirma Max Dante.

Embora os moradores do Peru vivam em condições de pobreza muito difíceis, a sua população não se torna violenta pelo fato da diferença de riqueza em si próprio e na população não serem tão aparentes. Diferentemente do caso do brasileiro, onde principalmente nas grandes metrópoles o cidadão se vê injustiçado e humilhado socialmente, o que acaba levando a população mais pobre à indignação e revolta contra a sociedade, originando as ações de violência urbana. Max Dante conclui que esses tipos de violência devem ser tratados como questão social diretamente ligada à divisão de riquezas.


Belém vive com medo

Esta é a conclusão de um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), com base na Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) realizada em 2006, em relação à percepção da violência urbana pela população. O medo é maior entre as classes mais baixas, porém este é um problema que cada vez mais presente nos bairros considerados de classe média-alta e alta.
A estudante de odontologia Maiara Barbosa, de classe média, confessa que teme sair na rua de sua própria casa. A jovem, já foi assaltada duas vezes,à mão armada há pouco metros de seu prédio, localizado na Avenida Doca de Souza Franco (uma das áreas mais nobres de Belém). Até dentro de sua universidade, Maiara é alertada pelos professores de que mesmo de manhã é para se tomar cuidado ao andar sozinha pelo campus, que é localizado numa das zonas mais perigosas da cidade. "Não levo nem o celular quando vou pra Federal", afirma a estudante.


Estado do Pará não foge à regra

O jornal O Liberal publicou no dia 30 de janeiro que o município de Tailândia, localizado no nordeste do estado, é considerado o sexto município mais violento entre 5.564 município do Brasil, de acordo com 'Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros 2008' pesquisa realizada pela Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana- RITLA, o Institudo Sangari, Ministério da Saúde e Ministério da Justiça a cada dois anos. Outros municípios do estado também estão no topo da lista, como Marabá e Itupiranga e Breves.
De acordo com Julio Jacob Waiselfisz, diretor de Pesquisas do Instituto Sangari e autor do Mapa, o estado do Pará apresenta uma situação alarmante: 12 municípios entre as 200 cidades com os maiores números absolutos de homicídios. Isso sem contar com os roubos, assaltos e seqüestros relâmpago que ocorre no estado.
A pesquisa revela que a violência em Belém é absurda, principalmente no que se trata de homicídios, porém um notável aumento de óbitos por conta da violência urbana tem sido observado cada vez mais nos interiores do Pará.